CENTRO DE ESTUDOS BÚDICOS

Jacareí, SP


CONSELHOS AO JOVEM SIGÂLA
ou
A HOMÍLIA DOS LEIGOS

(Sigâlovâda Suttanta, Dígha Nikâya, Sutta 31)


NAMO TASSA BHAGAVATO ARAHATO SAMMÂSAMBUDDHASSA
Homenagem a Ele, ao Afortunado, ao Consumado, ao Perfeitamente Iluminado


Prefácio

O sutra que apresentamos a seguir trata da ética social. Junto com os textos "O Diálogo com os Kâlámas" e "Os Mensageiros de Deva" — que também fazem parte desta coletânea — formam um tripé valioso e importante, principalmente para os leigos. Todos eles abordam diferentes aspectos da vida e destino humanos.

À primeira leitura, os conselhos que Buda dá ao jovem Sigâla poderão soar como ideais e mesmo idealistas, e a dúvida que poderia surgir seria quanto à adequação dos mesmos aos costumes e hábitos ocidentais. No entanto, bastaria uma ou outra transposição mental, que tenha a ver com uma assimilação às nossas circunstâncias, para que eles nos pareçam mais familiares. Numa época conturbada como a nossa, na qual verifica-se um gradual desregramento dos bons costumes, dissolução dos laços familiares e piora nos relacionamentos sociais, os conselhos de Buda servem para um revigoramento das aspirações que alguns do nós acalentam no fundo do coração. Porque, quando se perde o respeito mútuo dentro do núcleo familiar e fora dele, a vida humana torna-se um verdadeiro inferno.

Diz o Prof. Rhys Davids, um dos maiores estudiosos do budismo: "… podemos dizer deste código de disciplina: tão fundamentais são os interesses humanos envolvidos, tão sensata, sã e ampla é a sabedoria que os intui, que as declarações são tanto frescas e, sob um aspecto prático, obrigatórias hoje e aqui quanto as eram então no Râjagaha. ‘Feliz terá sido a aldeia ou clã nas margens do Ganges, onde o povo estava imbuído do gentil espírito de companheirismo, do nobre espírito de justiça que exala destes ditos simples e singelos.’ Não menos feliz seria hoje a cidade ou a família nas margens do Tâmisa do qual se pudesse dizer o mesmo."

Assim como foi estabelecido um código disciplinar para os bikxus (monge-mendicante budista) e bikxunis (Monja-mendicante) — que constitui a primeira parte do Cânone Páli —, assim também existia um código ético para as pessoas ordinárias, os leigos, que o famoso imperador Asoka descreveu num dos seus pilares como "o Vinaya (disciplina) dos chefes de família" (gihí vinaya); e este foi identificado com os conselhos contidos no presente sutra.

Alguns estudiosos fizeram notar que não havia qualquer menção dos deveres políticos, nem aqui nem em outros lugares no Cânone; e que o Buda teria evitado opinar sobre questões políticas, em geral, e sobre o relacionamento governantes-governados, em particular. Isto não é de todo verdade. Na sua infinita sabedoria, Buda não viu necessidade de se imiscuir abertamente em questões políticas, mas o fez indiretamente. Não só ele dava conselhos de comportamento moral aos leigos, como não deixava de o fazer nas muitas conversas que teve com os principais governantes da época. Ora, se tanto os cidadãos quanto os governantes fossem seguir os ditames de sua consciência, já condicionados pelos princípios éticos, o resultado só poderia ser um relacionamento ideal; e quando isto não acontecesse, é porque ambos os lados ou um deles não estaria ainda propenso para tal — e não havia nada que Buda pudesse fazer.

Supõe-se que Sigâla seguia um ritual antigo, pelo qual, os espíritos que habitavam nos diversos pontos cardeais, eram invocados como proteção. Notar-se-á que a conversão de Sigâla de uma atitude invocadora de forças da natureza, animicamente concebidas, para uma de serviço amoroso a seus semelhantes, se dá sem traumas. Isto deve-se ao método de Buda que, ao invés de destruir a forma, sublima-a; despe-a do antigo conteúdo e veste-a com um novo contexto.

Por fim, testemunhamos mais uma vez (veja o diálogo com os Kâlâmas) a ímpar e singela atitude de Buda: não estando preocupado em ganhar discípulos, transmite um ensinamento impregnado de valores universais, não peculiar ao seu Darma, e que por isso mesmo seria aceito e aprovado por qualquer líder espiritual.

Na presente tradução, com exceção do último, foram omitidos os versículos intercalados entre as secções principais. Esses versículos — que fornecem um resumo do conteúdo das diversas partes do discurso — foram, indubitavelmente, introduzidos numa época tardia e tinham como objetivo servir de meio mnemônico para rememoração do ensinamento. Ao invés, estamos dando um sumário dos conselhos que servirá para o mesmo objetivo.

* * *


O Texto

1. Assim eu ouvi.1 Certa vez, o Mestre estava alojado perto de Râjagaha, no Bosque dos Bambus. Nesta ocasião, o jovem Sigâla, tendo se levantado cedo, saiu de Râjagaha e, com as roupas e cabelos molhados e as mãos juntadas erguidas, prestava homenagem às diferentes direções cardeais: ao oriente, ao sul, ao ocidente, ao norte, ao nadir e ao zênite.

Naquela manhã, o Mestre levantou-se cedo, vestiu-se, tomou seu manto e tigela e se foi à Râjagaha para sua (ronda de) mendicância. Ao ver Sigâla homenageando as diferentes direções cardeais, disse: "Jovem chefe de família, por que te levantaste cedo para homenagear as diferentes direções cardeais?" "Senhor, meu pai, quando estava à morte, me disse para fazer isto. E assim, Senhor, devido ao respeito que tenho pela palavra de meu pai, que eu reverencio, honro e considero sagrada, é que eu levantei cedo para homenagear desta maneira as seis direções." "Mas, jovem chefe de família, na disciplina dos Nobres este não é o modo correto de prestar homenagem às seis direções cardeais." "Bem, Senhor, como é que alguém deveria homenagear as seis direções cardeais na disciplina dos Nobres? Seria uma coisa excelente se o Afortunado Senhor me ensinasse o modo apropriado de homenagear as seis direções cardeais em conformidade com a disciplina dos Nobres" "Então escuta cuidadosamente, presta atenção, que eu vou falar." "Assim seja, Senhor", disse Sigâla e o Mestre disse:

2. "Jovem chefe de família, é pelo abandono dos quatro vícios de ação, pela não feitura de maldade decorrente de quatro motivos, pelo não seguimento dos seis modos de dissipação dos haveres e riquezas — pela evitação destes quatorze caminhos maléficos — que o nobre discípulo cobre as seis direções, e por meio de tal prática se torna um conquistador de ambos os mundos, de maneira que tudo andará bem com ele neste mundo e no próximo; e, quando da dissolução do corpo após a morte, ele ressurgirá, para um feliz destino, num mundo celestial.

3. Quais são os quatro vícios de ação que são abandonados? Tomar a vida, tomar o que não é dado, má conduta sexual e fala mentirosa. Estes são os quatro vícios de ação que ele abandona." Assim falou o Mestre.

4. "Quais são os quatro motivos de malefício dos quais ele se abstém? Mau feito que surge motivado pelo apego, que surge motivado pela má vontade, que surge motivado pela insensatez, que surge motivado pelo medo. Se o nobre discípulo não agir com base no apego, má vontade, insensatez ou medo, ele não fará maldade decorrente de qualquer um desses motivos." Assim falou o Mestre.

5. "E quais são os seis modos de dissipar os próprios haveres e riquezas que ele não segue? Ser adicto em bebidas fortes e drogas produtoras de indolência é um dos modos de dissipar os próprios haveres; andar habitualmente nas ruas em horas impróprias, assistir a feiras2, ser viciado em jogos, associar-se a más companhias e ociosidade habitual, são outros.

Há estes seis perigos, jovem chefe de família, ligados ao vício de beber e tomar drogas: o real desperdício de dinheiro, aumento das rixas, suscetibilidade a doenças, perda do bom nome, exposição indecente da sua pessoa e o enfraquecimento do intelecto.

Há estes seis perigos ligados ao andar nas ruas em horas impróprias: alguém fica indefeso e sem proteção, e assim estão também sua esposa e filhos; e assim está sua propriedade. Ele fica suspeito de crimes [não cometidos], e falsos relatos lhe são atribuídos; e ele está sujeito a toda sorte de desgostos.

Há estes seis perigos ligados à freqüentação de ferias: [Alguém fica sempre a pensar] ‘Onde há danças? Onde há cantos? Onde eles estão tocando música? Onde eles estão recitando? Onde há o bater de palmas? Onde estão os tambores?’

Há estes seis perigos ligados às jogatinas: o ganhador faz inimigos; ao perder, deplora sua perda; ele desperdiça seus presentes haveres; a palavra dele não é considerada confiável numa assembléia ou corte; ele é desprezado por seus amigos e companheiros; ele não está em demanda para casamento, porque um jogador não pode permitir-se manter uma esposa.

Há estes seis perigos ligados à associação com más companhias: qualquer jogador, qualquer glutão, qualquer bêbado, qualquer trapaceiro, qualquer vigarista, qualquer homem violento é seu amigo e seu companheiro.

Há estes seis perigos ligados à ociosidade: Pensando ‘Faz muito frio’, alguém não trabalha; pensando ‘Faz muito calor’, alguém não trabalha; pensando ‘É muito cedo’, alguém não trabalha; pensando ‘É muito tarde’, alguém não trabalha; pensando ‘Estou com muita fome’, alguém não trabalha; pensando ‘Estou muito cheio (de estômago)’, alguém não trabalha. E enquanto o que tem que ser feito não é feito, novos haveres ele não acumula, e as riquezas que tem, minguam." Assim falou o Mestre.

6. "Jovem chefe de família, existem estes quatro tipos (de pessoas) que devem ser considerados como inimigos sob o disfarce de amigos: o homem que é voraz, o homem de fala e não de ação, o adulador e o amigo perdulário.

Pode-se considerar ser o homem voraz um falso amigo, por quatro razões: ele toma tudo (é ávido); ele quer muito e dá pouco; ele cumpre seu dever por medo; e ele considera apenas os seus interesses.

Pode-se considerar ser o homem de fala e não de ação um falso amigo, por quatro razões: ele fala de favores no passado e no futuro; ele enuncia em alto som frases de boa-vontade e, quando algo tem que ser feito no presente, ele alega inabilidade devido a alguma incompatibilidade.

Pode-se considerar ser o bajulador um falso amigo, por quatro razões: ele consente com as más ações; ele discorda das boas ações; ele te elogia na cara e te menoscaba nas tuas costas.

Pode-se considerar ser o homem perdulário um falso amigo, por quatro razões: ele é teu companheiro quando te entregas à bebida forte, quando tu andas pelas ruas em horas inapropriadas, quando tu freqüentas feiras e quando te entregas a jogatinas." Assim falou o Mestre.

7. "Jovem chefe de família, existem estes quatro tipos (de pessoas) que comprovadamente são amigos leais e de bom coração: o amigo que é prestimoso, o amigo que é o mesmo tanto em tempos felizes quanto em adversidades, o amigo de bons conselhos e o amigo que simpatiza contigo.

Pode-se considerar ser o amigo prestimoso um amigo de bom coração, de quatro maneiras: ele cuida de ti quando estás com a guarda aberta (bêbado, etc.); ele cuida de tuas posses quando estás desguarnecido; ele é um refúgio quando estás com medo; e quando alguma tarefa é para ser feita, ele te dá o dobro do que pedes.

Pode-se considerar ser o amigo que é o mesmo em tempos de felicidade e de adversidade um amigo de bom coração, de quatro maneiras: ele te conta seus segredos; ele guarda teus segredos; ele não te abandona quando estás em apuros; ele até sacrificaria sua vida por ti.

Pode-se considerar ser o amigo de bons conselhos um amigo de bom coração, de quatro maneiras: ele te coíbe de fazer o mal; ele te encoraja a fazer o bem; ele te informa acerca do que ignoravas; e ele te aponta o caminho para o céu.

Pode-se considerar ser o amigo simpatizante um amigo de bom coração, de quatro maneiras: ele não se regozija com tua desgraça; ele se alegra com tua boa fortuna; ele repreende os que falam mal de ti; e ele recomenda os que falam em teu louvor." Assim falou o Mestre.

8. "E como, jovem chefe de família, o nobre discípulo protege as seis direções cardeais? As seguintes seis coisas deverão ser consideradas como sendo as seis direções cardeais: O oeste denota mãe e pai; o sul denota preceptores; o leste denota esposa e filhos; o norte denota amigos e companheiros; o nadir denota servos (criados), trabalhadores e ajudantes; o zênite denota religiosos ascetas e brâmanes.

8a. Há cinco maneiras pelas quais um filho deva servir sua mãe e pai como direção oriental: [Ele deveria pensar] ‘Tendo sido por eles sustentado, eu os sustentarei; executarei seus deveres por eles; manterei a tradição familiar; serei digno da minha herança; após o falecimento dos meus pais, eu distribuirei presentes em nome deles.’

E há cinco maneiras pelas quais os pais, assim servidos pelo seu filho como direção oriental, deverão retribuir: eles o coibem de cometer maus atos; encorajam-no a fazer o bem; lhe ensinam alguma habilidade; encontram para ele uma esposa adequada; e, em devido tempo, lhe passam a sua herança. Deste modo a direção oriental é coberta e protegida, fazendo-o em segurança e livre de medo.

8b. Há cinco maneiras pelas quais os pupilos devam servir seus preceptores como direção meridional: Levantando-se (de seus assentos) para saudá-los; atendendo-os; sendo zelosos (nos estudos); servindo-os pessoalmente; e dominando as habilidades que eles ensinam.

E há cinco maneiras pelas quais seus preceptores, assim servidos pelos pupilos como direção meridional, deverão retribuir: Eles transmitem ensinamento completo; se certificam de que eles dominaram o que devidamente deveriam compreender; lhes dão uma base fundamental em todas as habilidades e artes; recomendam-nos a seus amigos e colegas; e lhes provêem segurança em todas as direções. Deste modo a direção meridional é coberta e protegida, fazendo-o em segurança e livre de medo.

8c. Há cinco maneiras pelas quais um marido deva servir sua esposa como direção ocidental: Honrando-a; não a desmerecendo; não lhe sendo infiel; autorgando-lhe autoridade; provendo-lhe adornos.

E há cinco maneiras pelas quais uma esposa, assim servida pelo marido como direção ocidental, deverá retribuir: Organizando apropriadamente seus deveres; sendo gentil para com os criados; não sendo infiel a ele; protegendo as provisões; e sendo hábil e diligente em tudo quanto ela tem que fazer. Deste modo a direção ocidental é coberta e protegida, fazendo-o em segurança e livre de medo.

8d. Há cinco maneiras pelas quais um homem deva servir seus amigos e companheiros como direção setentrional: Sendo generoso e benevolente; cuidando de suas prosperidades; tratando-os como a si mesmo; e mantendo sua palavra.

E há cinco maneiras pelas quais amigos e companheiros, assim servidos por um homem como direção setentrional, deverão retribuir: Cuidando dele quando estiver desguarnecido; cuidando da sua propriedade quando ele estiver desguarnecido; sendo-lhe um refúgio quando ele estiver amedrontado; não abandonando-o quando ele estiver em apuros; e mostrando consideração por sua família. Deste modo a direção setentrional é coberta e protegida, fazendo-o em segurança e livre de medo.

8e. Há cinco maneiras pelas quais um patrão (mestre) deva servir seus empregados e trabalhadores como direção do nadir: Arranjando-lhes trabalho de acordo com sua força; suprindo-os com alimento e salários; cuidando deles quando adoecem; compartilhando com eles as guloseimas especiais; e liberando-os do serviço em tempos apropriados (feriados, etc.).

E há cinco maneiras pelas quais empregados e trabalhadores, assim servidos pelo seu mestre como direção do nadir, devem retribuir: Eles acordam e levantam antes dele; deitam e descansam depois dele; tomam somente o que lhes for dado; fazem seu trabalho com correição; e são recipientes de seu elogio e boa reputação. Deste modo o nadir é coberto e protegido, fazendo-o em segurança e livre de medo.

8f. Há cinco maneiras pelas quais um homem deva servir os religiosos ascetas e brâmanes como o zênite: Por bondade em ação (corpórea), fala e pensamento; mantendo casa aberta para eles; suprindo suas necessidades temporais.

E os religiosos (ascetas e brâmanes), assim servidos por ele como o zênite, deverão retribuir de cinco maneiras: Eles o desencorajam de fazer o mal; encorajam-no a fazer o bem; são benevolentemente compassivos para com ele; lhe ensinam o que ele não ouviu; e lhe revelam o caminho para o céu. Deste modo o zênite é coberto e protegido, fazendo-o em segurança e livre de medo."

Isto o Afortunado falou.

9. Tendo o Bem-andante falado isto, o Mestre acrescenteu:

Mãe, pai são o oriente,
Preceptores são o ponto extremo sul
Esposa e filhos são o ocidente,
Amigos e colegas o norte.
Servidores e trabalhadores são o quadrante em baixo,
Ascetas e brâmanes, o quadrante em cima.
Essas direções deveriam ser
Por um leigo da clã apropriadamente honradas.
Aquele que é sábio e dotado de conduta moral,
Bondoso e perspicaz,
Humilde, não-teimoso,
Tal pessoa (boa) reputação ganhar pode.
Levantando (cedo), industrioso,
Inabalado por infortúnio,
De impecável conduta, de bom senso,
Tal pessoa (boa) reputação ganhar pode.
Fazendo amigos e tratando-os bondosamente,
Acolhedor, não-sovina,
Um guia, instrutor e reconciliador,
Tal pessoa (boa) reputação ganhar pode.
Dando oferendas e de gentil fala,
Uma vida levada em fazer o bem,
Imparcial em todas as coisas
Conforme requer cada caso:
Essas coisas mantêm o mundo coeso
Tal como a cavilha a roda da carruagem.
Se tais benevolências não existissem,
Mãe nenhuma obteria de seu filho
Qualquer veneração ou respeito,
Tampouco o pai de seu filho.
Dado que tais qualidades pelo sábio
São mantidas em alta estima,
Por meio delas grandeza é alcançada
E são por todos louvadas.

10. Tendo ouvido estas palavras, Sigâla disse isto ao Mestre: "Excelente, Senhor, excelente! É como se alguém fosse colocar de pé algo que tenha sido derrubado, ou revelasse aquilo que estivesse oculto, ou viesse apontar o caminho a alguém que tenha se perdido, ou fosse trazer uma lamparina-de-óleo para dentro de um recinto escuro, de maneira que, aqueles possuídos de olhos, pudessem ver o que há nele. Justamente assim o Afortunado acaba de explanar o Darma (ensinamento acerca da lei natural) de variadas maneiras. Eu mesmo vou ao Venerável Afortunado como refúgio, e ao Darma e à Ordem (dos bikxus). Que o Afortunado me aceite como um seguidor leigo, como alguém que tenha recorrido a ele como refúgio, a partir deste dia e pelo resto da vida, enquanto esta perdurar!"

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Notas

1. A narrativa é tradicionalmente atribuída ao discípulo Ânanda, que foi o atendente pessoal de Buda nos seus últimos vinte e cinco anos de vida.

2. Presumivelmente, porque as feiras de então convidavam a um grande esbanjamento de dinheiro e estimulavam as ações imorais.


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Tradução do original páli e Prefácio
Nissim Cohen
(upâsaka Dhammasâri)

4/11/1997

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Sumário dos Conselhos

A – 14 Caminhos maléficos a serem evitados:

1. 4 Vícios de ação:
(i) tomar a vida; (ii) tomar o que não é dado; (iii) má conduta sexual; (iv) fala mentirosa.

2. 4 Motivos para feitura de maldade:
Mau feito motivado pelo
(i) apego; (ii) pela má vontade; (iii) pela insensatez; (iv) pelo medo.

3. 6 Modos de dissipação de haveres e riquezas:
(i) ser adicto em bebidas e drogas; (ii) andar nas ruas em horas impróprias; (iii) assistir a feiras; (iv) ser viciado em jogos; (v) associar-se a más companhias; (vi) ociosidade habitual.

B – 4 Tipos (de pessoas) que são inimigos sob o disfarce de amigos:

(i) o homem voraz; (ii) o homem de fala e não de ação; (iii) o adulador; (iv) o perdulário.

C – 4 Tipos (de pessoas) que são amigos leais e de bom coração:

(i) o que é prestimoso; (ii) o que é o mesmo tanto em tempos felizes quanto em adversidades; (iii) o de bons conselhos; (iv) o que simpatiza contigo.

D – As 6 coisas que denotam as seis direções cardiais:

oeste — mãe e pai
sul — preceptores
leste — esposa e filhos
norte — amigos e companheiros
nadir — servos, criados, trabalhadores, ajudantes
zênite — religiosos (monges, ascetas, etc.)

(i) há 5 maneiras pelas quais um filho deva servir seus pais como direção oriental; há 5 maneiras pelas quais os pais devam retribuir.

[similarmente com relação aos outros, havendo sempre 5 maneiras de servir e tantas outras para retribuir].

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